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MVP: INICIE SEU NEGÓCIO COM LANÇAMENTO RÁPIDO E MENOR INVESTIMENTO

By agosto 23, 2018 No Comments

Com o mercado cada vez mais focado no surgimento de empresas e produtos digitais, a criação de um MVP se tornou uma das principais estratégias para validação de ideias e otimização de processos baseados no feedback do mercado consumidor.

Para quem busca empreender, um dos principais medos é investir recursos e esforços em uma ideia sem ter a certeza de que ela será aceita pelo mercado. A criação de um projeto mínimo viável pode ser a forma mais simples e rápida de testar suas ideias, investindo apenas o essencial.

Nesse post vamos apresentar o conceito por trás da criação de MVPs, o surgimento desse modelo e as práticas defendidas, assim como o passo-a-passo para transformar a sua ideia em um projeto estruturado, preparado para rápidas mudanças e uma concorrência acirrada.

 

ORIGEM DO MODELO: O CONCEITO LEAN

Focado na resolução sistemática de problemas e na redução de desperdícios, o modelo de gestão lean surgiu no Japão, no período posterior à Segunda Guerra Mundial, por iniciativa do engenheiro e chefe de produção da Toyota, Taiichi Ohno.

O conceito – que deu origem ao famoso Toyotismo – trouxe melhorias significativas para a produtividade, processos e qualidade de entrega da empresa, mobilizando iniciativas como as que levaram ao modelo de Lean Startup, proposto por Eric Ries.

Ries, inspirado por essa abordagem simplista, associou ideias fundamentais do marketing, tecnologia e empreendedorismo do século 21 para formalizar o conceito de “Lean Startup”, apresentado no best-seller de mesmo nome que foi lançado em 2011.

Em termos gerais, o modelo de gestão lean está focado na agilidade e validação constante, atuando em cada ponto dos seus processos para minimizar desperdícios de tempo e dinheiro. O foco é alcançar uma qualidade maior e entregas mais rápidas.

Quer saber mais? Assista a palestra de Eric Ries sobre “Lean Startup” para o Google Talks:

Muitos conceitos paralelos dialogam com a teoria. O ciclo “build-measure-learn” tem um papel central, acompanhado por elementos do método ágil e por estratégias para validação de hipóteses. As orientações podem ser aplicadas a todos os tipos de empresa em fase inicial.

Tudo isso deve estar diretamente associado a uma interação constante com o usuário, testando diferentes possibilidades, avaliando a aceitação do produto e redirecionando esforços para atingir um resultado com mais valor para o cliente final.

Nesse contexto foi apresentado o conceito do MVP, apontado por Ries como o melhor método para a validação do retorno de um determinado investimento, antes da completa finalização desse produto ou projeto.

Por sua eficiência, lean startup ainda é apontada como uma das principais dinâmicas de gestão em empresas modernas, e é amplamente aplicada por gigantes como a Apple e o Facebook para potencializar suas escalas de crescimento.

No infográfico, os principais pontos defendidos por Reyes em “Lean Startup” e como o MVP se encaixa nesse fluxo:

 

Representação visual dos principais elementos contidos em Lean startup

Infográfico “Lean Startup”

 

MAS O QUE É, EXATAMENTE, UM MVP?

Por conceito, MVP significa Minimum Viable Product, ou Mínimo Produto Viável, que é a versão mais simplificada, mas ainda assim funcional, de um produto ou parte dele.

Essa versão deve empregar o mínimo necessário de recursos, sejam eles de tempo ou dinheiro, para que a principal proposta de valor do projeto seja atingida. É uma das metodologias mais usadas para o desenvolvimento de produtos digitais.

A ideia central é validar um projeto antes de investir nele muito dinheiro e esforços.

Todo projeto possui funcionalidades principais, e outras secundárias. As principais formam o core do seu modelo, aquilo que realmente agrega valor para o usuário. São elas que devem ser estruturadas em um produto inicial para validar o seu modelo de negócio.

O grande desafio na criação de um MVP é abrir mão de elementos complementares do seu projeto, ao menos na fase inicial. Temos apego por tudo que pensamos para aquele produto, então é preciso avaliar racionalmente aquilo que é realmente necessário.

 

Infográfico sobre o fluxo de criação de MVPs

ilustração por Boagworld.com

 

VANTAGENS DE CRIAR UM MÍNIMO PRODUTO VIÁVEL

Ainda que seja difícil priorizar elementos do seu projeto, encontrar uma forma de ter respostas rápidas do mercado é um benefício que se paga. Isso permite que, num futuro próximo e com a ideia mais estruturada, seu produto seja ainda melhor do que pensado inicialmente.

O mercado cobra das empresas um tempo de resposta cada vez menor. O consumidor é bombardeado com uma oferta imensa de produtos e serviços, transitando facilmente entre eles caso não atendam a sua necessidade imediata.

Serviços que já foram estruturados sob a análise e perspectiva do cliente final serão melhor aceitos. É preciso ter criatividade e raciocínio para formular versões com aquilo que tem maior valor para o stakeholder. O processo de melhorias vem, justamente, dos feedbacks recebidos.

A estratégia também é vantajosa pelo aspecto financeiro. A criação de MVPs economiza dinheiro nas primeiras etapas de desenvolvimento e acelera o lançamento do seu negócio para que ele se torne maduro e lucrativo o quanto antes.

Muitas startups investem recursos em BI (business intelligence) e growth hacking, metodologias de inteligência de negócio que se apoiam nesse conceito. São realizados experimentos, equivalentes à MVPs, para validar modelos que serão aplicados no futuro.

 

MAS COMO IMAGINO ISSO APLICADO À UM CENÁRIO REAL?

Vamos supor uma pequena empresa, não necessariamente focada no digital.

Digamos que Maria sempre gostou de fazer doces, e como complemento para seu orçamento decidiu abrir um pequeno negócio de brigadeiros gourmet. Maria quer um food truck de brigadeiros, no qual possa transitar pela cidade oferecendo seus doces.

Para iniciar esse negócio ela teria algumas opções, entre elas:

  1. Reunir todo o dinheiro necessário para comprar o melhor, e mais bem equipado, food truck. Personalizá-lo conforme uma identidade de marca e reservar aluguéis para participar dos principais eventos do período.
  2. Investir apenas o necessário para criar doces com a melhor qualidade, abastecer o seu carro de gasolina e então transitar pela cidade oferecendo seus doces em pontos acessíveis e de grande circulação.
  3. Investir apenas o necessário para criar brigadeiros tradicionais e não muito caros. Levá-los com ela para o trabalho, onde podem ser vendidos para os colegas de empresa.

Todas as opções seriam formas válidas de começar, mas algumas diferenças fundamentais entre elas ditam o potencial de acerto do negócio.

A opção 1 apresenta o cenário dos sonhos, mas ele pode facilmente se tornar o cenário dos pesadelos. Maria investiu muito dinheiro em compras, esse retorno irá demorar para se pagar e, se algo der errado, ela pode ter perdido tudo que foi investido.

Sem testar com cuidado o seu mercado consumidor, Maria pode descobrir que as pessoas não costumam comprar brigadeiros na rua, que o seu preço é caro demais para o consumidor ou que a concorrência é forte demais para que o negócio possa emplacar. É arriscado.

A opção 3 se manifesta pelo aspecto contrário, faltando engajamento e investimento. A principal oferta de valor do negócio de Maria é “oferecer seus doces pela cidade” e isso não acontece quando os doces se limitam à venda no escritório.

Maria pode sim, com o tempo, conquistar a fidelidade de compra dos colegas e ter um crescimento nas vendas, mas é um processo extremamente lento e gradativo, pouco adequado ao timing moderno.

A opção 2 aparece como o nosso possível MVP, o meio termo entre um cenário idealizado e um pouco efetivo. Maria não terá desde o início o food truck que idealizou, mas pode testar seu mercado com o investimento e esforços necessários.

Vai treinar a produção de brigadeiros e pegar feedbacks dos clientes sobre os melhores sabores, vai descobrir quais os melhores pontos de venda e vai começar a ser conhecida por pessoas de diferentes pontos da cidade.

Ou seja, Maria terá um produto cada vez melhor, um conhecimento de mercado mais amplo e mais capital reservado para crescimentos sustentáveis.

Observe:

Infográfico com exemplificação de possíveis cases em MVP

Exemplificação – MVP

 

GOSTEI DA IDEIA. COMO CRIO MEU MVP?

O processo para criação de MVPs contempla muito estudo e raciocínio, mas pode ser dividido em três momentos principais: definição da proposta de valor, validação do mercado e priorização.

Definição da proposta de valor

O primeiro ponto para estruturar qualquer negócio é entender sua proposta de valor, ou seja, definir o que você está oferecendo de mais atrativo para o consumidor, que benefício você entrega para ele.

Sua proposta de valor é a razão pela qual o cliente precisa de você, e isso deve ser o coração do seu planejamento.

Identifique o principal output do seu produto ou serviço para o usuário e tente transformar isso em hipóteses de mercado. Essa hipótese justifica por quê o seu produto irá ser bem-sucedido e garantir lucro para o seu projeto.

Todos os aspectos que tornam sua oferta mais atrativa, mas que não são fundamentais para o funcionamento do modelo, devem ser entendidos como complementares e colocados como secundários no desenvolvimento.

Proposta de valor definida, é o momento de criar um MVP do seu projeto, apenas com aquilo que é fundamental para a etapa seguinte, validação.

Validação do mercado

Com seu MVP definido e desenvolvido, a etapa seguinte se baseia em entender e mapear o mercado consumidor, avaliando o interesse e adesão por seu produto e como isso justificaria – ou não – seu investimento.

Testes de mercado podem ser realizados de diversas maneiras, agrupadas em dois grupos prioritários:

  • Testes alpha: lançamento de um produto ou serviço para um grupo controlado de pessoas, como uma amostra.
  • Testes beta: divulgação do MVP para o público geral, sem restrições.

De modo geral, os testes alpha são mais indicados por garantirem maior controle sobre situações inusitadas e necessidade de correções. Os testes beta são uma boa opção quando o negócio já foi amplamente testado em alpha.

Isso fica ainda mais evidente no mercado de softwares. É comum que o produto, ou sistema, se comporte de formas inesperadas conforme a demanda, o ambiente e o volume de acessos. Sendo assim, seja criterioso com as formas de teste.

Um produto com problemas, lançado para o público geral, pode não servir para testes mas sim, para acabar com a reputação do seu negócio.

Dessa etapa você deve absorver: qual é a receptividade do público pela sua proposta de valor e quais são os pontos de melhoria mais evidentes.

Priorização

Depois de receber feedbacks e avaliar a receptividade do seu projeto, é preciso iterar sobre tudo aquilo que faz sentido para o seu modelo de negócio.

É preciso olhar com critério para as reações do consumidor, nem todas elas farão sentido, mas serão sempre a melhor resposta para suas dúvidas de posicionamento, principalmente quando a amostra for significativa.

Busque os feedbacks mais recorrentes e alinhados com hipóteses anteriormente criadas.

A partir disso, desenhe como o seu projeto realmente deve ser e qual é a ordem de importância dos elementos que irão compor o resultado final. Se achar que os testes não foram suficientes, volte a realizá-los.

Para cada nova etapa do seu projeto, volte a testar e validar a recepção do usuário. Se a recepção for positiva, e associada a um crescimento lucrativo, está seguindo no caminho certo. Se algo der errado, repense rapidamente, teste e mude o rumo do desenvolvimento.

É preciso ter respostas e correções rápidas.

 

DICAS PARA UM MVP DE SUCESSO

 

  • Antes de tudo, estruture sua proposta de valor e hipóteses de mercado. Elas serão guias ao longo do projeto e ajudarão a criar modelos mais estruturados e com demanda.
  • Estude o seu mercado e faça benchmarking. Estudar outras empresas em cenários semelhantes ajuda a prever possíveis erros e caminhos para acerto, além de economizar tempo de desenvolvimento.
  • Conheça a sua concorrência. Oferecer um produto igual ou semelhante à uma empresa que já existe vai exigir esforços de diferenciação, é preciso ter uma estratégia bem definida.
  • Antes de criar e testar seu MVP, defina métricas para avaliação. Você precisa de indicadores confiáveis para avaliar como o projeto foi recebido e promover as mudanças.
  • Tente criar um modelo difícil de ser replicado. Em um mercado competitivo é muito comum que suas ideias sejam replicadas por concorrentes, muitas vezes até melhoradas. Tente blindar o seu negócio.
  • Todos os testes devem ser realizados de verdade, sem a participação de amigos ou parentes. Testes enviesados não ajudam o seu negócio e podem prejudicar o direcionamento de estratégias.
  • Tenha bons parceiros para planejamento e desenvolvimento. Busque profissionais capacitados para materializar a sua ideia com o máximo potencial e qualidade, é fundamental trabalhar com uma equipe qualificada e com muita visão estratégica. A Codus pode te ajudar!

 

CONCLUSÃO

O termo MVP é muito usado por startups e empresas de tecnologia, mas todos podem adaptar e modular a estratégia ao seu modelo de negócio ou a novos projetos e produtos.

A metodologia deve ser incorporada desde o planejamento inicial, com a priorização criteriosa daquilo que dialoga com sua proposta de valor. Tenha em mente que há momento e circunstância para que todas as ideias sejam aplicadas.

O consumidor será o seu melhor amigo durante todo o processo. Acompanhe suas reações e feedbacks pois o objetivo final é sempre entregar o maior valor para o cliente. A consequência é um crescimento sustentável e lucrativo.

Por último, busque bons parceiros qualificados para a materialização do projeto. A Codus já ajudou dezenas de empresas a alavancarem seus negócios e temos sempre muito prazer em conhecer novas ideias. Fale com a gente e saiba como podemos ajudar.

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